Os "melhores" filmes desta década

27 Dezembro 2009 Laís Santos 1 comentário

O site Slash Film publicou uma lista com os melhores 25 filmes dos últimos 10 anos, de acordo com os votos dos leitores do Internet Movie Database (IMDb) que, como acabei de descobrir, é o principal site sobre cinema no mundo. Cidade de Deus (2002), ou City of God, ficou em terceiro.

Listas são listas. Sempre haverá quem discorde delas. Mas até que essa não é das piores. Enumerei alguns dos “melhores” abaixo, com breves considerações sobre cada um:

coringa

Batman – O cavaleiro das trevas (2008): primeiro lugar, mas não acho que tenha merecido. Bom filme, sem dúvida. Mas a morte do Heath Ledger meses antes do lançamento gerou uma propaganda muito positiva, uma expectativa muito grande. Até eu, que nunca simpatizei com o herói soturno que é o Batman, encarei o cinema no fim de semana de estreia do filme só pra ver o Coringa. Não se pode negar os méritos dos atores, roteiristas, diretor e toda a equipe. Mas, para mim, não é o melhor dos últimos 10 anos.

O senhor dos anéis – O retorno do rei (2003), A sociedade do anel (2001) e As duas torres (2002): me recuso a assistir. Preconceito talvez. Mas a verdade é que não tenho a mínima vontade de ver nenhum dos filmes das sagas Senhor dos Anéis, Harry Potter e Crepúsculo. Talvez daqui a alguns anos, quando passarem na Sessão da Tarde, se não houver nada melhor e mais produtivo pra fazer, aí sim, há uma pequena probabilidade de que eu os assista.

Avatar (2009): quando vi o trailler, achei um monte de baboseira. Monstrengos horríveis e um orçamento milionário pra pagar toda aquela maquiagem e efeitos especiais. Avatar quase entrou na minha lista de super produções dispensáveis como O senhor dos anéis. Mas mudei de ideia, vou assistir. Li as críticas (muito boas, por sinal) e, com promessas de que Avatar é um marco na história do cinema, elas me convenceram a dar uma chance ao filme.

Wall-e (2008): rsrsrs, prometi que não assistiria, mas quebrei a promessa. Wall-e comove, é fofo, tchuc-tchuc, mas não era pra estar aqui nessa lista. Animação por animação, acho Carros (2006) muito melhor.

amelie poulainO fabuloso destino de Amélie Poulain (2001): esse me surpreendeu. Assisti com 7 anos de atraso. Já tinha ouvido falar tanto dele, mas tanto, que esperava não gostar do filme. Deixa eu explicar: nunca encontrei ninguém que soubesse “falar” sobre Amélie Poulain, as pessoas exclamavam: “Amélie Poulain?! Ohhh… Ahhh… hum, tão lindo, você vai gostar”. Era esse transe que me incomodava. Mas entendi depois que assisti. É sensível que dói, rs.

A viagem de Chihiro (2001): a melhor animação que já vi. E basta.

Réquiem para um sonho (2000): fantástico! Levei alguns minutos pra sair do estado de êxtase em que fiquei quando assisti. História cruel, que segura do início ao fim, desses que fazem refletir sobre a condição humana.

Bastardos Inglórios (2009): o diretor Quentin Tarantino mistura realidade e ficção para contar uma história de guerra, que não é sobre guerra; uma história do cinema, que não é apenas cinema. Inverte os papéis e muda o rumo da história e, no fim, o resultado não é tão diferente do real. Destaque para Cat people [Putting out fire], de David Bowie, na trilha sonora.

Quem quer ser um milionário? (2008): ainda me pergunto como venceu o Oscar. Bom filme. Mas achei uma péssima história, clichê demais. A premiação me pareceu mais barulho em torno de uma produção que está fora de Hollywood do que mérito da produção. É um Show do milhão com romance e violência e clímax e lágrimas e alegria.

gran torino Gran Torino (2008): meu primeiro Clint Eastwood. E já comecei com o Eastwood atuando e dirigindo. A princípio, é só um filme sobre um cara solitário apaixonado pelo seu carro, aliás, pelo seu Gran Torino. Mas a história vai se revelando muito mais envolvente e abrange discussões sérias e sempre atuais, como preconceito, intolerância, respeito, companheirismo. Tudo pra ser clichê, mas não é.

d9 Distrito 9 (2009): outro que me surpreendeu. Não esperava muita coisa de D9, mas estava enganada. Ficção, aliens, super-armas. Filme repleto de metáforas, ótima narrativa. Extremamente humano, apesar dos “camarões” extra-terrestres.

Batman Begins (2005): mais um do herói soturno nessa lista dos melhores. Assisti Batman Begins em 2008. E foi só por causa do Cavaleiro das Trevas. Achei que se desembarcasse já no segundo filme, na continuação, poderia não entender algum detalhe que fosse explicado no primeiro. Nada. Filme bom, mas não o suficiente pra estar entre os melhores da década.

Além de alguns dos filmes acima, eu ainda escolheria Encontros e Desencontros (2003), O clã das adagas voadoras (2004), Oldboy (2003) e muitos outros. Mas, deixe estar, também vou preparar minha lista…

Confira a lista completa.

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Mais Bukowski

Bukowski pelo traço inconfundível de Robert Crumb

“Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as  percentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.”

Charles Bukowski, O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio

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Caminhos

Estou num território sagrado. Ao menos é isso que parecem indicar todas essas placas com nomes de santo. São Rafael, São Marcos… há tempos passei por São Caetano. Prefiro mentalizar: “estou no ônibus certo”. Por que me desesperar?! Eu estava no local indicado, não estava?! Entrei no ônibus que ele me disse pra entrar, não entrei?! Ok, ok. Eu devia ter confirmado com o cobrador… Mas agora é tarde. Perguntar a ele onde nós estamos e pra onde estamos indo seria atestar minha incompetência até nas coisas mais simples.

Essa não é minha cidade. Eu não tenho obrigação alguma de conhecê-la direito. E passo tanto tempo fora dela… às vezes, nem sei o que fazer pra chegar em casa. E olhe que moro no centro. [Centro?! Onde é mesmo o centro desse caos?!].

Sim, mas agora o ônibus parou e os últimos passageiros desceram. E eu desci. E não reconheço nada ao redor. Deveria haver um shopping aqui por perto. Tá, tá… desisto do jogo.

“Amigo, aquele shopping novo fica aqui por perto?”, pergunto ao motorista.

“Não, não… fica beeem longe.”

“E como faço pra chegar lá agora?”

“Deu sorte. Tô indo pra garagem, vou passar por perto. Vambora que te deixo lá.”

No caminho, outros santos. Mas eu já não pedia mais por milagres…

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"Não pare de acreditar"

Desde que aboli o insistente bip-bip do despertador, alterno I Want you, do Bob Dylan, Last nite, do Strokes e Avohai, de Zé Ramalho. Mas, vez ou outra, quando me dou ao luxo de dormir até acordar, por motivações para sempre desconhecidas, acordo com uma trilha sonora do inconsciente. Não precisa ser minha canção favorita nem uma música que tenha ouvido antes de dormir, são canções que vêm sabe-se lá de onde, tocam sem tocar, num volume inaudível, mas absurdamente alto. Comum a todas elas é que me deixam extremamente otimista e de bom humor.

Hoje, meu despertador privado me acordou tocando Don’t stop believing, do Journey [alguém ainda ouve Journey?!]. Nada mais clichê para essa época do ano que o “Não pare de acreditar” do título. Não, não… eu não acompanhei o auge da carreira do Journey. Nem assisti X-men, filme que usou Don’t stop believing como trilha. E nem ando duvidando de nada. Mas ainda assim ouvi a música umas 10 vezes, assisti o vídeo umas 4 e fiquei tentando entender que mensagem subliminar pode estar escondida por baixo daquela camisa com estampa de onça pintada do vocalista… Qual segredo se esconde por baixo daquelas madeixas anos 80 de todos da banda? Sem conclusões. Por via das dúvidas, melhor mesmo é não parar de acreditar.

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Super 8

15 Dezembro 2009 Laís Santos 1 comentário

Era pra ser apenas mais uma avaliação. Era só pra somar pontos e passar numa disciplina. A proposta inicial era que eu e uma amiga, Ciranda Campos, ficássemos un três meses escrevendo sobre os cinemas de bairro de Salvador. Mas por que não falar do cinema que era feito por aqui antigamente?! E por que não falar do que vem sendo produzido hoje?! Aí, ficou assim: um blog jornalístico sobre cinema baiano.

Entramos em contato com pessoas que fazem e que estudam cinema em Salvador. Alguns foram bastante receptivos, outros nem tanto. Edgar Navarro, Roque Araújo, Paula Gomes, Haroldo Borges, a diretoria do Tempo Glauber. Esses e tantos outros contribuíram para que a nota fosse das melhores.

Natural seria que o Super 8 encerrasse suas atividades no início de dezembro, mas ele foi ficando e fomos nos afeiçoando à cria. Pra ser bem clichê, unimos o útil ao agradável.

Então, frequentadores do De Garagem, eu lhes apresento meu 2º blog oficial: o Super 8 Baiano.

CategoriasBlog, Cinema

Estava escrito

Dilacerei página a página dos dois livros que restavam. Destruí as folhas totalmente escritas do diário sem ler sequer uma palavra do que foi anotado nelas. A sensação foi muito melhor do que quando rasguei minha própria tentativa de diário [que em menos de um mês se tornou um semanário tão entediante que não consegui continuar escrevendo nele]. Dei o mesmo destino a uma daquelas histórias de amor e erotismo misturados a lições esfarrapadas de conduta e auto-ajuda.

“Quando você quer alguma coisa, o Universo inteiro conspira para que você realize seu desejo”. Acertou em cheio! Confesso que, ao menos uma vez na minha vida, consegui aplicar uma das lições, a que ficou mais popular. Queria muito dar um fim naqueles livros que destoavam das demais obras da biblioteca ainda no começo. Separei a pilha com seis deles, comprados entre a infância e o início da adolescência e, no dia seguinte, encontrei um amigo lendo aquele que não comprei, mas que li duas vezes. E, veja só, por sorte minha ele queria outros livros.

Já comprou três. Ainda faltam tantos, a produção é tão fértil, a distribuição tão ampla. Foi a salvação. Dos seis, entreguei quatro a ele. Os outros dois ele já tinha. A saída foi rasgar em pedaços bem pequenos, enfiar tudo dentro de um saco e mandar direto pro balde de lixo.

Por que comprei o primeiro? Por que li e, mesmo assim, continuei comprando outros? Questões sem resposta. Eternamente. Não quero discutir sobre isso. Finalmente, acabou.

Ah… eu devia ter aberto aquele Bukowski mais cedo.

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tudo ao mesmo tempo agora

Faltam pouco mais de duas semanas para as férias! Mas até lá…

TCC; Apocalipse; The first of the gang to die; estágio; Affleck; O filho do Brasil; monografia; Bastardos Inglórios; Velho Chico; óculos;  piauí; A Confraria dos Espadas; cerveja; Oasis; 2012; Distrito 9; livro; 2ª chamada; RPM; enquadramento; Killers; doc; Glauber Rocha; gripe; Paulo Coelho; Lua Nova; Estética; Obama; livrarias; Besouro; Pés quentes; títulos; horóscopo; plano de ação; King of pain; alergia; Super 8; 500 dias com ela; Uma história da leitura; estante; Paulo Afonso; biblioteca; Páginas Ampliadas; D. Isabel; Bublé; pernil; cronograma; repentista; moonwalking; reportagem; Aerosmith; insegurança; Ruy Castro; piña colada; Smiths; Ribeira; freela; napolitano; Bon Jovi; Brasileiros; dezembro;

 

“… tudo era fantasia, um sonho, um mundo de vastas emoções e pensamentos imperfeitos …”

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, Rubem Fonseca

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Ele voa

besouro

Em Besouro todo mundo voa. O diretor, João Daniel Thikomiroff, que foi do outro lado do mundo buscar o coreógrafo de lutas aéreas, Huen Chiu Ku, o mesmo responsável por magníficas cenas em Matrix, O Tigre e o Dragão e Kill Bill, mas que, nem de longe, repetiu seus feitos anteriores; os atores, que parecem não ter entendido bem qual a história que tinham que contar; os diálogos, rasos e escassos; a trilha sonora, ao repetir inúmeras vezes o verso “Besouro, cordão de ouro”, interpretado pela Nação Zumbi; as cenas, que abusam da não-linearidade, num vai-e-vem frenético entre o passado, o presente, o futuro e o inexistente; e o público, ao sair o mais rápido possível da sessão, alguns até antes do filme terminar.

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Então é isso, Charlie Brown

12 Novembro 2009 Laís Santos 1 comentário

peanuts II

CategoriasRetrato, Snoopy

Mensagem de amor – Paralamas do Sucesso

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